Disque 100 estáaberto para receber denuncias. Nos ùltimos dois anos, crimes ligados à intolerância religiosa cresceram 45%
Reiterar o respeito a todas as expressões de fé e fazer valer a laicidade do Estado brasileiro são compromissos do Poder Executivo. Há mais de 15 anos, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa faz parte do calendário nacional e em 2023 é celebrado neste sábado (21).
Dados do Disque 100 revelam que, nos últimos dois anos, atos de intolerância religiosa aumentaram 45%. Neste sentido, a nova gestão do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) reitera o compromisso em respeitar as diversas manifestações religiosas ou mesmo a ausência de crença.
Canais de denúncia
A Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH) é o setor do MDHC que recebe denúncias da sociedade contra todo tipo de violência e abriga o Disque 100. Quando observados os números mais recentes do serviço de atendimento, constam apenas 113 registros de violações motivadas por intolerância religiosa. Os números se referem a todo o ano de 2022, o que indica tendência de subnotificação.
Indicado para comandar a ONDH, Bruno Renato diz que a subnotificação também é resultado da polÃtica de esvaziamento do Disque 100, uma ferramenta útil para registrar as diversas formas de discriminação. “Há necessidade urgente de retomar a articulação com as redes de defesa dos Direitos Humanos nos estados e municÃpios, envolver a segurança pública, os centros de referência, a sociedade civil e principalmente as comunidades e associações de matriz africana em torno da proteção e da garantia do culto e da religiosidadeâ€, indica o gestor.
Virada de chave
As religiões de matriz africana, por exemplo, sofrem com o desrespeito à ancestralidade. No inÃcio deste ano, a sanção presidencial da Lei 14.532/23 equipara injúria racial ao crime de racismo e protege a liberdade religiosa. Agora, o crime pode render de 2 a 5 anos de prisão.
Para o fotógrafo e candomblecista Ã’gan Luiz Alves, o ato significa uma virada de chave quando se trata do respeito religioso. “Nos dá a certeza de que o diálogo voltará e que as ditas minorias terão vozes e oportunidades de se colocarem no cenário nacional em busca de polÃticas públicas de verdadeâ€, pontua.

Registro de ataque ao terreiro Ylê Axé Oyá Bagan, liderado por Mãe Baiana, em 2015 (Foto: Luiz Alves/Arquivo Pessoal)
Sobre a data
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituÃdo por meio da Lei 11.635, de 2007, durante a segunda gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em memória de Gildásia dos Santos.
A Iyalorixá baiana, conhecida como Mãe Gilda, teve sua casa e terreiro invadidos por um grupo fundamentalista de outra religião. Com a saúde fragilizada, agravada pelos ataques, Mãe Gilda morreu em 21 de janeiro de 2000, vÃtima de infarto.
Prezado cidadão, para melhor atender a sua demanda e aprimorar os serviços prestados por nossa gestão, gostaríamos que respondesse algumas perguntas para medir sua satisfação e, com isso, propor melhorias em nossos serviços.